Prova: Carabina Mira Aberta 25 Metros

Trata-se de uma prova simples, mas muito divertida e desafiadora. Do pondo de vista da concentração e aquisição do alvo, é uma das mais difíceis. Sua simplicidade engana o atirador principiante, que vê uma prova sem muitas regras, com apenas 30 (trinta) disparos e com o longo tempo de 30 (trinta) minutos para efetuá-los.

Mas não se deixe enganar, se você perder a concentração, além de errar seu alvo, pode até acertar o alvo do competidor ao seu lado. Essa prova faz o atirador perceber que a dificuldade independe da complexidade e que as técnicas avançadas são as mesmas técnicas básicas, porém treinadas à exaustão.

Regras

É uma prova de tiro esportivo, e, segundo o regulamento oficial da CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo), só existe uma divisão: Carabina Mira Aberta 25 metros nos calibres .22 LR ou .17 HMR.


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[1] Acima: carabina de ferrolho, com ação tipo Mauser, da marca CZ (Ceska Zbrojovka), modelo 455, em calibre .22 LR. [2] Ao centro: carabina com ação de alavanca, da marca Henry, modelo Varmint Express, em calibre .17 HMR. [3] Abaixo: comparação visual entre os dois calibres de fogo circular, .17 HMR à esquerda e .22 LR à direita (note o estrangulamento no estojo do .17 HMR e seu projétil pontiagudo).


Mas o que significa “carabina mira aberta”? Será que qualquer carabina não equipada com luneta é considerada de “mira aberta”? Não. É um pouco mais restrito do que isso. Segundo o regulamento oficial (link acima), em primeiro lugar, não são permitidas carabinas desenvolvidas para o tiro olímpico, mesmo que tenham sido adaptadas. As armas não podem pesar mais do que 5,5 Kg (cinco quilogramas e meio) e o atirador não pode usar equipamentos e acessórios voltados para o tiro olímpico.


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Carabina olímpica da marca Walther, modelo KK300 Anatomic Lightweight, em calibre .22 LR. Note os ajustes para o ombro e para a mão de apoio, assim como o dióptro, posicionado bem próximo ao olho diretor do atirador.


Além disso, “mira aberta” significa que não se pode usar dióptros, red dots, peep sights, ou qualquer forma de alça de mira diferente da lâmina cavada em forma de V ou U. Essa alça de mira pode (e deve) ser regulável em altura e lateralidade, pois os alvos são realmente desafiadores. Por fim, a alça de mira deve estar posicionada à frente da tecla do gatilho, diminuindo sua distância em relação à massa de mira, o que diminui a precisão do alinhamento entre estes dois elementos que compõem o aparelho de pontaria.


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[1] Acima: Red Dot, sistema eletrônico que acende um ponto de luz em uma tela transparente de cristal líquido. [2] Ao centro: Peep Sight, sistema que substitui a alça de mira por um círculo posicionado bem próximo ao olho diretor do atirador, mantendo a massa de mira original. [3] Abaixo: Dióptro, sistema das carabinas olímpicas, a alça e massa são substituídas por túneis concêntricos. Nenhum desses dispositivos pode ser usado na prova Carabina Mira Aberta 25 metros.


A massa de mira pode ter qualquer formato, pode ser regulável e pode ser equipada com túnel protetor, para evitar reflexos indesejados. Por fim, tanto alça quando massa de mira podem ser equipadas com fibras óticas ou com pinturas reflexivas, para facilitar sua aquisição e alinhamento com o alvo.


 

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Mira aberta: jogo de alça e massa equipadas com fibra ótica.


Os tiros são feitos em pé, sem apoios para a arma ou para o corpo do atirador. Entre um tiro e outro, o atirador pode descansar a arma sobre a bancada (mas este apoio não pode ter altura regulável. A postura de tiro é livre, o que significa que um dos cotovelos pode estar mais próximo do tórax ou do quadril, facilitando a estabilização da arma.


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Posições de tiro em pé mais comuns para armas longas. Quanto mais próximo do corpo estiver o cotovelo, mais estável fica o conjunto, contudo, o excesso de proximidade prejudica a mobilidade. O cotovelo apoiado no quadril é uma posição que valoriza ao máximo a estabilidade, mas oferece máximo prejuízo à mobilidade.


Apesar de ser uma prova de precisão, não há disparos de ensaio. O primeiro tiro já conta para o resultado. Acredite: isso dificulta e torna a prova ainda mais desafiadora. Os atiradores recebem o sinal de três minutos para preparação e depois disso recebem o sinal de início de prova. Passados 25 (vinte e cinco) minutos, é dado o aviso de que faltam 5 (cinco) minutos para terminar.

Nas provas internas do clube de que sou sócio, essa prova possui duas divisões: ambas para carabinas de mira aberta, dividindo-se pelos calibres .22 LR e .38 SPL. Se aparecer alguém com uma carabina no calibre .17 HMR, vai competir na mesma divisão das .22 LR, como nas regras oficiais da CBTE.


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Carabina Puma, calibre .38 SPL, com cano medindo 20 (vinte) polegadas. Clone brasileiro da Winchester modelo 1892. Precisa, confiável e divertida.


Alvo e Espotagem

A grande dificuldade desta prova reside aqui: o alvo. Trata-se de um alvo posicionado a 25 (vinte e cinco) metros de distância do posto de tiro. Mede 55 (cinquenta e cinco) centímetros de altura, com igual medida em largura. Contém três centros independentes, com zonas de impacto perfeitamente circulares e concêntricas, dispostas em um eixo de 120 (cento e vinte) graus, cujos valores variam entre o mínimo de 7 (sete) e o máximo de 12 (doze) pontos.


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Alvo oficial. Note que a mosca branca vale 12 (doze) pontos, enquanto o círculo preto, ao redor dela, vale 10 (dez) pontos.


Isso mesmo: por mais estranho que possa parecer, não há zonas de impacto com valores entre 1 (um) e 6 (seis), e, ainda mais estranho, a maior pontuação possível para um disparo são 12 (doze) em vez dos tradicionais 10 (dez) pontos.

As moscas brancas nos centros valem 12 (doze) pontos e medem apenas 2,5 (dois e meio) centímetros de diâmetro. O círculo imediatamente em volta da mosca branca vale 10 (dez) e assim por diante, até o círculo mais externo, que vale 7 (sete) pontos. São feitos 10 (dez) disparos em cada centro, totalizando-se os 30 (trinta) disparos da prova.

O atirador pode (e precisa) contar com o auxílio de uma luneta de espotagem, posicionada, normalmente, sobre a bancada. Trata-se de equipamento indispensável para visualização dos pontos de impacto no alvo, possibilitando a execução de pequenas correções durante a prova. Devo frisar: pequenas correções, muito pequenas. Não se pode ajustar um aparelho de pontarias complemente desregulado durante a prova, isso arruína completamente o resultado e impossibilita a obtenção de pontuações minimamente competitivas.


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Luneta terrestre para espotagem, com zoom e foco reguláveis.


Finalizando

Devido aos valores das três moscas brancas, a pontuação máxima da prova é de 360 (trezentos e sessenta) pontos. O desempate é feito pela contagem do maior número de moscas brancas atingidas pelo competidor.

A apuração, se possível, deve ser feita logo após a prova, de preferência na presença dos atiradores, que podem acompanhar e até contestar os resultados apurados.

Apesar da tensão e da necessidade de concentração, é uma prova divertida pelo desafio que representa, e, acaba sendo a cristalização da expressão do inglês “aim small miss small”, que pode ser livremente traduzida como: mire na menor porção possível do alvo, para minimizar a margem de erro. Nessa prova não há espaço para “mais ou menos”.

Lembre-se: segurança em primeiro lugar.

Alexandre Coelho.

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